Paulistas e paranaenses tentaram boicotar Kartódromo na Paraíba

Paulistas e paranaenses tentaram boicotar Kartódromo na Paraíba

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Foto: Divulgação

O acesso à Fórmula 1 para os pilotos, além da necessidade de ter recursos financeiros para investimento na carreira, passa quase que obrigatoriamente pela escola do kart. São Paulo e Paraná têm sido o berço da modalidade no Brasil, mas a Paraíba, que também já revelou talentos como Valdeno Brito, está quebrando essa hegemonia, mas não antes de conseguir debelar uma tentativa de boicote dos pilotos paulistas e paranaenses.

O empresário paraibano Sérgio Crispim, que está inaugurando o primeiro kartódromo internacional da Paraíba – já homologado pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) -, afirmou que dirigentes das equipes do eixo São Paulo-Paraná não viam com bons olhos a construção do equipamento na Paraíba e chegaram até fazer um abaixo-assinado que contou com mais de 80 assinaturas. O custo de logística foi o principal argumento para a tentativa de boicote.

O projeto paraibano, batizado de Circuito Internacional Paladino, venceu a batalha ao receber o sinal verde da Confederação Brasileira de Automobilismo para sediar o Campeonato Brasileiro de Kart, que acontecerá nos dias 11 a 23 de julho, mas teve que bancar com os custos de transportes dos karts.

Sérgio Crispim não informou o valor desse custo, mas disse que para o transporte cada kart custa de R$ 1,5 mil e R$ 2 mil.

O Circuito Padalino, construído às margens de BR-101, no Conde – por trás da fábrica Elizabeth -, não será apenas um equipamento para sediar corridas de kart. Ele será multiuso. Além dos karts, a pista será utilizada para passeios ciclísticos, etapas de motos e até competição de regularidade com carros envenenados.

A pista foi construída em uma área de 10 hectares e tem uma extensão de 1.280 metros, com 9 metros de largura, apta para receber karts de todas as categorias para competições oficiais e corridas amadoras.

Investimentos
Sérgio Crispim prefere não mais polemizar sobre a tentativa de boicote das equipes do Sul do país e prefere enaltecer o investimento. Ele não revelou o valor aplicado no projeto, mas fontes não oficiais apontam que chegou à casa dos R$ 10 milhões. As obras foram iniciadas em agosto do ano passado e, um ano após, tem um calendário com a previsão de muitas corridas e eventos.

Além do Campeonato Paraibano de Kart, que abriu oficialmente a pista do kartódromo, neste sábado (21), o Circuito Paladino será palco de uma etapa do Campeonato Brasileiro de Kart. A expectativa é de que a competição atraia centenas de participantes de várias partes do país. O prêmio, segundo Crispim, será o principal atrativo.

A premiação será a maior da história do kartismo nacional. De acordo com o empresário, o piloto que vencer a categoria Sudam e se enquadrar nos critérios da Confederação vai ganhar a inscrição para toda temporada do brasileiro de Fórmula 3 no próximo ano. A premiação é exclusiva para pilotos que nunca competiram na categoria e tenham entre 15 e 19 anos durante a primeira temporada do Brasileiro.

A realização da etapa do Campeonato Brasileiro de Kart deverá atrair cerca de 400 pilotos de todo o Brasil e exterior, que puxará um público médio de 3 mil pessoas.

De olho nessas pessoas, o empresário Sérgio Crispim tem conversado com empresários da Costa do Conde com o objetivo de traçar uma estratégica de incrementar o turismo na região.

Pousadeiros e donos de restaurantes e receptivos não têm dúvida de que o equipamento poderá aumentar o fluxo de turistas quando as competições acontecerem, e para isso estão se preparando para oferecer seus serviços.

Apesar do entusiasmo, pouco se sabe ainda sobre o perfil das pessoas que acompanham essa modalidade esportiva. Crispim, que já foi piloto de kart, disse que a maioria não tem patrocinador e que investe uma boa quantia de dinheiro para disputar as corridas em qualquer cidade onde elas são realizadas.

“Estamos discutindo a melhor forma de todos ganharem com esse equipamento, porque ele não irá funcionar apenas em dias de competições, teremos outros tipos de entretenimento e certamente precisaremos de serviços como alimentação, hospedagem e receptivo”, disse o empresário.

A presidente da PBTur (Empresa Paraibana de Turismo), Ruth Avelino, incentivou a reunião entre o empresário e o trade da Costa do Conde. Na opinião dela, o fato da Paraíba passar a contar com um circuito de Kart, e que pode ser espaço para outras categorias automobilísticas, amplia a divulgação e o interesse das pessoas de virem conhecer o equipamento.

“Certamente teremos um outro público na cidade e até João Pessoa terá um incremento, pois conta com uma rede hoteleira ampla e que atende ao público que acompanha os pilotos. Precisamos estar bem preparados para atender a todos”, disse.

Fábio Cardoso

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